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Reforma do centro de Campinas retoma obras na Praça Carlos Gomes

Intervenção prevê calçadas de 2,5 metros, ciclovia provisória e novo paisagismo. Comerciantes aguardam fim dos tapumes após dois anos de espera.

12 jun 2026Rafael MoraesCampinas, SP

Obras de reforma no centro de Campinas

A Prefeitura de Campinas retomou nesta semana as obras de requalificação do centro histórico, com foco inicial na região da Praça Carlos Gomes e no trecho da Rua Barão de Jaguara entre a Avenida Francisco Glicério e a Rua General Osório. A intervenção havia sido paralisada em 2024 por divergências contratuais com a empreiteira original e pela necessidade de revisão do projeto de drenagem urbana.

Segundo o secretário municipal de Obras, Eng. Paulo Ribeiro, o novo cronograma prevê a conclusão da primeira etapa até outubro de 2026. "As calçadas terão largura mínima de 2,5 metros, com piso tátil em granito e iluminação LED embutida nos postes históricos restaurados", afirmou em coletiva realizada na terça-feira. O investimento remanescente é de R$ 18,7 milhões, cobertos por recursos do PAC Seleções e contrapartida municipal.

O que muda para quem circula a pé

O projeto original data de 2021 e previa a criação de um eixo preferencial para pedestres aos domingos, entre a Praça Carlos Gomes e a Estação Central. A versão revisada mantém essa proposta, mas amplia as faixas de circulação para cadeirantes e carrinhos de bebê — uma demanda recorrente entre moradores que participaram das audiências públicas de 2022.

Comerciantes da região, porém, ainda cobram soluções para o período de obras. A Associação dos Lojistas do Centro (Alocen) estima que o faturamento médio das lojas caiu 35% desde a instalação dos tapumes. "Não questionamos a necessidade da reforma, mas precisamos de sinalização clara para o cliente encontrar a loja e de estacionamento rotativo funcional nas ruas paralelas", disse a presidente da entidade, Márcia Vilhena, que opera uma papelaria na Rua Barão de Jaguara há 22 anos.

Ciclovia e transporte

A ciclovia provisória será instalada pela Avenida Francisco Glicério enquanto durarem as escavações na Rua General Osório. Ciclistas que utilizam o trajeto para chegar ao trabalho no distrito industrial de Souzas aprovaram a medida, mas pedem manutenção semanal da sinalização — problema recorrente em outras obras da cidade.

A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) informou que os desvios de ônibus serão atualizados semanalmente no aplicativo oficial e em painéis físicos nas paradas afetadas. As linhas 101, 203 e 340 terão pontos provisórios a 200 metros dos originais durante a escavação do coletor de águas pluviais.

Patrimônio e paisagismo

A reforma inclui a restauração das fachadas de 14 imóveis tombados pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental (Compahc). O paisagismo prevê o plantio de 86 árvores nativas, entre ipês e quaresmeiras, substituindo espécies exóticas que causavam problemas nas calçadas por raízes agressivas.

Arquitetos do escritório responsável pelo projeto, contratado após nova licitação em 2025, destacaram o uso de bloquetes intertravados permeáveis em áreas de grande circulação para reduzir o escoamento superficial durante temporais de verão — uma das principais reclamações de moradores da região da Ponte Preta.

Próximos passos

A segunda etapa da reforma, prevista para 2027, abrangerá a região da Largo do Café e a Rua Treze de Maio. A prefeitura prometeu nova audiência pública antes do início dessa fase. Moradores e entidades civis podem enviar sugestões pelo portal Participa Campinas até 30 de junho.

Para acompanhar o andamento das obras, a administração municipal disponibilizou um painel online com fotos quinzenais e percentual de execução por trecho. O Capital Click seguirá visitando o canteiro de obras e ouvindo moradores e comerciantes conforme o cronograma avança.

Rafael Moraes

Rafael Moraes

Editor de Cidades · Cobre reformas urbanas e legislação municipal